segunda-feira, 12 de maio de 2014

Já estamos em Guerra Civil?


Autoridades competentes, alguém é capaz de informar se já estamos em guerra civil? Desde os últimos 50 anos, com o advento do golpe militar de 1964 o País não convivia com tanta insegurança. A cada 10 mil habitantes, 95% das ocorrências criminais são motivadas por homicídio, de acordo com o movimento Observatório do Recife - ODR. 

Apenas em março foram registrados 310 óbitos. Entre os delitos “campeões” estão: crime de latrocínio (roubo seguido de morte); da agressão a criança e do adolescente; agressão à idosos; e, agressão as mulheres, sem mencionar os demais (ex.: tráfico de drogas, de crianças, etc.), na vergonhosa lista dos principais crimes.

Há onze dias e há poucas semanas da Copa do Mundo uma notícia envergonhou Pernambuco perante o Brasil e o mundo. Depois da competição entre o Santa Cruz e o Paraná, um grupo de jovens (delinquentes) da torcida Inferno Coral (e não poderia ter outro nome) arremessou covardemente uma privada num torcedor do Paraná, que morreu imediatamente.

Não bastasse as ruas e alguns ambientes públicos e o referido fato, até o refúgio da fé corre perigo. É o caso da igreja matriz de Santo Amaro, cuja prática da delinquência obrigou seu líder, o padre Marcelo Marques, a restringir sua missa apenas aos domingos (JC-26.03.2014). Curiosamente, o referido bairro é considerado (ou foi?) o maior trunfo do programa Pacto pela Vida, quando chegou a atingir 31,44% de redução da taxa de homicídio, nos últimos 9 anos, conforme dados da própria Secretaria de Defesa Social – SDS.

Com a quinta maior população carcerária brasileira, não foi difícil o estado atingir a liderança nacional em relação ao número de julgamentos (17% do total do País). De acordo com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), depois da Semana Nacional do Júri, espécie de mutirão jurídico que reuniu 3 mil processos. Por aqui, a maioria deles estão relacionados a crimes dolosos (com intenção de matar). E, segundo o Mapa da Violência de 2013, a suspeita popular foi confirmada: Pernambuco é um dos estados mais violentos do País. E a situação já é insustentável.

Até mesmo o filósofo colombiano Antanas Mockus (e ex-prefeito de Bogotá) foi convidado para dar palestra sobre o assunto, visto seu currículo vitorioso no tocante a redução dos crimes da violenta capital colombiana. Mas, ao contrário da esperada fórmula mágica, como, por exemplo, um novo e infalível tipo de repressão policial, Mockus traz por solução conceitos de desarmamento, cidadania, justiça e sua relação com a lei, moral e cultura para atingir a tão almejada paz.

Para isto acontecer, seriam necessários pesados investimentos na educação, com efeito de longo prazo. Mas, ao que parece, a lição do sábio foi muito cara à nossa onerosa elite política. O receio (deles) é a sociedade exigir mais dos governantes, a exemplo dos países desenvolvidos, onde o sistema educacional é de alta qualidade. Isto custaria (para os nossos) abrir mão de seculares privilégios. Basta observar a pauta atual do governo, cujo foco deriva entre sancionar a CPI da Petrobrás e a corrida eleitoral de outubro, conforme os noticiários, enquanto o cidadão deseja apenas chegar vivo em casa.


Vejamos, numa cidade que reduziu de 21,11% (desde 2010) para 16,95% a participação dos investimentos em educação, já refletidos na falta de material escolar, como livros e material didático; além do pior salário já pago a um professor no Brasil, inferior a dois mil reais (nível superior: R$1.901,00; nível fundamental: R$ 1.698,00); e com uma população onde 35,4% ocupa a linha da pobreza, e 17,9% na da miséria, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística – IBGE, não é preciso ser cientista político para deduzir o que a soma desta combinação macabra pode dar.


Nelson Sampaio Júnior é jornalista e membro da União Brasileira dos Escritores (UBE).

domingo, 30 de março de 2014

O PT E A REVOLUÇÃO DOS BICHOS



Embora prestes a ser sancionada, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás nem foi confirmada e a sua relação com o clássico A Revolução dos Bichos, do jornalista e escritor britânico George Orwell (1903-1950) nunca foi tão atual. Considerado um dos calos do regime militar e dos partidos de direita, como no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), o Partido dos Trabalhadores (quem diria?) tenta a todo custo evitar (fato que mais fomentou) a implantação da CPI sobre a aquisição da refinaria americana Pasadena, pela Petrobrás desde 2006. Seria, como diz o adágio popular, o feitiço contra o feiticeiro?

Mas o que a principal obra de Orwell tem a ver com tudo isso? Publicado em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), A Revolução dos Bichos havia penado pelo apoio de uma editora, visto que, apesar de pertencer ao gênero das fábulas literárias, ela representava uma ameaça à Rússia comunista, então aliada do ocidente contra o nazifacismo

No conteúdo, o livro retrata a fazenda Granja Solar, cujo fazendeiro era muito cruel com os animais do celeiro. Cansados de tanta opressão, os bichos se organizam e, sob a liderança de três porcos, porco Bola, Neve e Napoleão, os mais inteligentes na visão do autor, realizam uma constituição própria com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan “Todos os bichos são iguais”.

Depois de expulsar o fazendeiro, um dos porcos rompe com a recente aliança firmada entre eles (como o PT x PSB de Pernambuco). E Napoleão, o porco vitorioso, além de modificar as leis, também assume uma postura política ainda pior que a do antigo fazendeiro. E a gota d’água foi modificar, inclusive, a última lei, agora inspirada no lema: “Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Apesar de rejeitada inicialmente, a referida obra, inversamente, foi bastante explorada no auge da Guerra Fria. Na época, o mundo era dividido entre capitalistas e comunistas, liderados, respectivamente, pelos Estados Unidos e a antiga União Soviética, numa queda de braço jamais vista na história mundial.

Os paralelos com a recente trajetória política brasileira são impressionantes. No ano em que a história relembra os 50 anos do Golpe Militar de 1964 (o cruel fazendeiro), encerrado em 1985, o País testemunhou confuso, atônito (e decepcionado) os antigos “heróis” das diretas já! sentarem no banco dos réus, em seguida aprisionados, com direito a poses patéticas para os fotógrafos, no melhor que a esclerose dogmática marxista pode passar; a proliferação dos conceitos neoliberais, como a condenada privatização; empréstimos a fundo perdido, como no caso de Cuba; o retorno da tão temida inflação, juros astronômicos, encolhimento do Produto Interno Bruto - PIB, além de deixar a sociedade brasileira à beira de uma guerra civil.

Cansado de tanta injustiça e corrupção, o País inteiro ocupou as principais ruas e avenidas para protestar e exigir melhorias dos governantes. Tal manifestação não acontecia no Brasil desde o governo Collor (1990-1992), quando o povo exigiu o impeachment do então presidente da República.

Apesar da obra do escritor britânico ter sido associada ao regime soviético, ela tornou-se perfeitamente adaptável para avaliar, por afinidade de aspectos, qualquer governo do mundo atual. As ditaduras nunca foram a melhor saída política em função da supressão da liberdade. A democracia é uma conquista popular. Mas um governo que se diz democrático deve ser capaz de gerir a nação, e quando sua administração despertar em seu povo saudade com alguma qualidade das ditaduras, sinal vermelho à vista. Para que não retornemos ao passado, é indispensável renovação. E apenas o voto pode oxigenar o futuro. Brasileiros, avante! Porque a luta continua.


Nelson Sampaio Júnior é jornalista e membro da União Brasileira dos Escritores - UBE.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Caso Mensalão: Decepção à Bolonhesa

                                                                   Recife, 06 de março de 2014

        Quadrilha Feliz: Os parlamentares Genoino (E) e José Dirceu comemoram decisão
                                 


Por Nelson Sampaio Junior


“Esta é uma tarde triste para o STF” declarou, em tom de frustração, o presidente do Supremo Tribunal Joaquim Barbosa. A frustrante declaração (compartilhada pela sociedade) refere-se a absolvição executada pelo Supremo ao entender como inexistente o óbvio e uluante crime de formação quadrilha dos parlamentares acusados. Por diferença de apenas um voto (6x5) a mais alta corte do país perdeu uma oportunidade histórica de passar a limpo a maior chaga da sociedade brasileira: a impunidade frente a corrupção.


Prestes a completar dois anos, o julgamento despertou por alguns momentos a esperança de virar esta página. Semelhante a um seriado americano (mas sem final feliz), o roteiro parecia perfeito, amplo espaço para a defesa dos réus, recursos, prazos, atrito de opiniões entre ambos os lados, episódio por episódio num espetáculo midiático jamais visto na história deste país.

E como fez Pilatos no julgamento de Cristo, até mesmo o governo petista parecia ter deixado os seus “filhos” à própria sorte, disponíveis à justiça. E os próprios réus, já condenados, e com aparições patéticas dos “heróis que morreram de overdose” já pareciam conformados com a ideia de contemplar o sol nascer quadrado. Lembrava mesmo a escatológica luta do bem contra o mal. Até o dia em que a corte sofreu baixa de dois ministros: o do ex-presidente Ayres Brito, além do ministro Cezar Peluso, aposentados por idade. Em substituição, entraram Luís Roberto 
Barroso e Teori Zavascki, que votaram em favor dos mensaleiros.

Embora esteja próximo de ser concluído, o andamento do julgamento nem chegou ao fim e sua ligação com o pensamento do filósofo marxista Michel Foucault (1926-1984) nunca foi tão atual. Completar 30 anos de sua morte Foucault (leia-se Fucô) ganhou destaque internacional por abordar em seus livros o conceito de prisão no mundo contemporâneo. Vigiar e Punir, e Microfísica do 

Poder certamente constituem suas obras mais importantes.
Na essência, como o “desnudar do rei” este filósofo francês concluiu que a justiça penal não passava de um mecanismo de dominação de classe, produzida pela elite política e econômica para a aplicação às classes desfavorecidas. Para isso, utilizavam-se da lei penal, o que ele chamou de instrumento de classe. Este, por sua vez atendia (e atende) aos objetivos ideológicos (repressão das classes inferiores) e os reais (imunização das elites). Combinados, eles representam a chamada gestão diferencial, apesar de pomposo, na prática, seu nome é sinônimo de impunidade.

Os paralelos do sofisticado esquema foucaultiano (leia-se fucôtiano) com o maior escândalo processual da história do Brasil são surpreendentes em sua atualidade. A começar pela corte escolhida: o Supremo Tribunal Federal – STF, destinada só para as elites; os juízes do caso, todos ministros e indicados pelo governo (quando o ideal seria por concurso); além da lei penal, contraditória e cheia de brechas de tolerância, a exemplo da imunidade parlamentar; além da perda de mandato dos condenados desconectada do poder judiciário; e o amplo e indeterminado prazo para defesa, porém com data certa para invalidação de sua pena. 

Em outras palavras, os parlamentares acusados, além de caríssimos advogados, dispõem de todo o tempo do mundo para se defenderem e, mesmo condenados, não perdem o mandato e ainda podem receber o benefício da liberdade se o prazo da condenação sair da validade (ou prescrição). Sem mencionar o período eleitoral que se aproxima.

E numa legislação penal tão contaminada, até mesmo juristas de respeito como o ministro Joaquim Barbosa acabam refém não só de colegas de má fé, como também da própria ferramenta que deveria ser sua maior aliada: a própria lei. Logo, enquanto não lutarmos pela mudança dessa vergonhosa legislação, nesse tabuleiro, os tribunais e juízes serão tão executores da lei quanto os pizzaiolos no fazer da boa pizza ao molho bolonhesa de sua cantina mais próxima.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

ENTREVISTA NO SITE CAFÉ HISTÓRIA

Pessoal ! gostaria de compartilhar com vocês a agradabilíssima entrevista que tive ontem com o colega jornalista carioca Bruno Leal, fundador responsável pelo site http://cafehistoria.ning.com/, um dos mais badalados e respeitados no país sobre o assunto. A entrevista ocorreu no espaço chamado CAFEZINHO, reservado para dialogar (e divulgar) lançamentos que contribuem para novas visões da história. Quem quiser assistir a entrevista, entre no site http://cafehistoria.ning.com/ e logo verá o vídeo no centro da página. Aguardo comentários de todos ! abração.

http://www.youtube.com/watch?list=PL9kEowC2xzmeEQdqyScnAb1ey30Ov_Dnv&v=iyhnBmqEbr0#t=279

 APRESENTAÇÃO DO LIVRO
 MOMENTO DE DESCONTRAÇÃO DO PROGRAMA
AGRADECIMENTOS E DESFECHO

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ARY SEVERO, VISIONÁRIO DO CINEMA MUDO

                                                                                

                                                                             DO BELO LIVRO DE NELSON SAMPAIO JUNIOR
Por Amin Stepple
Duas notícias, ambas impactantes, e de regiões diferentes do planeta, chegaram recentemente às paginas cinematográficas dos cadernos culturais. A primeira trata, infelizmente, de fatos melancólicos, irreparáveis. E veio dos Estados Unidos, o maior produtor de cinema de todos os tempos. Uma tragédia para a memória do que é considerada, ainda, a grande arte de massa. Uma braçadeira de luto envolve a nota jornalística:Mais de dois terços dos filmes mudos rodados nos Estados Unidos entre 1912 e 1929, incluindo alguns de Ernst Lubitsch e da atriz Clara Bow, se perderam - diz um informe publicado nesta quarta-feira (4) pela Biblioteca do Congresso norte-americano.

O informe, tutelado pela Associação Nacional de Preservação do Filme (NFPB), indica que de 11.000 filmes de ficção realizados durante o período do cinema mudo, "somente 14% - ou seja, 1.575 títulos - ainda existem em seu formato original, 35mm".

Em contrapartida, a boa notícia. O lançamento da biografia "Ary: um Bandeirante do Cinema Brasileiro", do jornalista Nelson Sampaio Junior. Ary Severo foi um dos gênios do cinema silencioso produzido em Pernambuco entre os anos 1923 e 1931. Pioneiro, ao lado de outros apaixonados pelo cinema, a exemplo de Gentil Roiz, Edson Chagas e Jota Soares (e outros tantos utópicos abnegados), Ary Severo foi ator e diretor de alguns filmes que marcaram o que historicamente se conhece por "Ciclo do Recife". Entre os quais, "Aitaré da Praia", classificado por historiadores do cinema brasileiro como um dos dez melhores filmes já rodados no país.

Resultado de cinco longos anos de pesquisa, o livro de Nelson Sampaio retoma e recoloca a historiografia do cinema pernambucano no paradigma de compromisso de seriedade e de absoluta fidelidade na apuração dos fatos e interpretações dessa marcante fase da vida cultural de Pernambuco. Historiador honesto e desprovido de falsas veleidades e arrogâncias acadêmicas, Nelson Sampaio recorre às fontes primárias e originárias sobre o Ciclo do Recife. Não comete o embuste, tão normativo nos tempos recentes, de sonegar os créditos e os méritos dos que, antes dele, se dedicaram ao estudo, recuperação e valorização da memória cinematográfica dos anos 20. Fica difícil depois de "Ary: um Bandeirante do Cinema Brasileiro", o lançamento de novas peças memorialísticas confeccionadas, essa é a impressão, em áreas de serviço de minúsculos apartamentos, à sorrelfa do rigor histórico que o tema deve merecer. Um biógrafo não pode sofrer da síndrome de inferioridade.

O livro de Nelson Sampaio, cuja escrita é suavemente jornalística, o que facilita e desperta o interesse do leitor (curioso ou não pelo que aconteceu na longa noite de nitrato dos anos 20 do século passado), é um complemento necessário e imprescindível ao trabalho de outros pesquisadores do cinema mudo pernambucano, realizado ao longo das décadas, a exemplo de Lucila Bernadet, Fernando Spencer e Celso Marconi (em cujo elenco, modestíssimamente, me incluo, com textos escritos e filmes realizados). A saga de Ary Severo, da atriz Almery Steves (mulher de Ary e a primeira grande diva do cinema pernambucano) e dos outros visionários é relatada como se estivéssemos assistindo também a um filme, feito na época. Aliás, destaquem-se ainda as belas fotos que ilustram o livro. Esse resgate iconográfico é consequência, obviamente, de uma exaustiva pesquisa em arquivos mofados das primeiras décadas do eletrizante século XX.

No momento em que o cinema pernambucano conquista relevante espaço na mídia nacional e internacional, com a produção de bons filmes polêmicos e experimentais, o livro "Ary: um bandeirante do cinema brasileiro" chega às livrarias na hora certa. É possível compreender o boom produtivo do presente pelos labirintos estéticos e ousados das latas enferrujadas do passado. Ary Severo certamente é o avô inventivo de Kleber Mendonça, de Lírio Ferreira, Marcelo Gomes, Claudio de Assis, de Hilton Lacerda e de centenas de outros jovens diretores, atores e técnicos (quando não se dá para nada, se faz cinema, uma boa solução familiar e social) que grassam em todas as esquinas sujas e nas calçadas esburacadas do Recife. Se vivo, fisicamente, e não apenas nas obras que deixou, Ary Severo poderia cantarolar, com a sua magnética simplicidade e reconhecida humildade, versos do cancioneiro popular: "os bichinhos tão criados, satisfeitos os meus desejos".

É preciso olhar com atenção o lamentável exemplo americano, que destruiu o seu bonito pretérito mudo. O melhor plano agora é segurar a tocha olímpica da memória inflamável do nitrato. Resolvida a árdua tarefa de biografar Ary Severo, cabe agora a Nelson Sampaio dedicar mais outros anos de pesquisa à figura genial do cinema mudo pernambucano: o diretor e excelente ator Jota Soares.

Vamos lá, Nelson Sampaio Junior. Antes que outro aventureiro lance mão. Depois da biografia de Ary Severo, não vale mais bilhete pirata para se entrar na sala escura dos sonhos de várias gerações de pernambucanos. E o ingresso já está precificado: no mínimo, cinco anos de severa (inevitável, o trocadilho) pesquisa. Como dizem dez entre dez blogs, boa leitura.


ENTREVISTA, HOJE, NO SITE CAFÉ HISTÓRIA, NÃO PERCAM!

O recente sucesso editorial de Pernambuco "ARY, UM BANDEIRANTE DO CINEMA BRASILEIRO", editora BAGAÇO, tem chamado a atenção não só dos historiadores bem como os cineastas e profissões afins, sobretudo pelas fotos raras e documentos inéditos de um pioneiro quase esquecido da história brasileira, porém não menos importante por isso. O livro é fruto de uma pesquisa de mais de 5 anos e agora está disponível a todos os interessados no assunto. No próximo dia 28 será comemorado os 110 anos do seu nascimento. Aguardo vocês hoje à noite, as 20h30. Até lá !!

http://www.youtube.com/watch?v=jY6kERylmT8





quinta-feira, 8 de março de 2012

Valéria é destaque na Imprensa Pernambucana

Hoje, no Internacional Dia da Mulher o blog de história presta homenagem a uma ( sem desmerecer as outras): a poetisa e enfermeira Valéria Saraiva. Com um talento nato, esta escritora da zona da mata pernambucana vai realizar o seu sonho mais antigo: lançar o livro Lírios, Tulipas e Escorpiões.
Dividida em três fases Lírios é fruto de uma compilação de poemas desde os seus 15 anos. No conteúdo, divido em três fases a escritora apresenta ao leitor a sua visão de mundo sobre vários temas que inquieta a maioria dos poetas.Contudo, seu grande diferencial é não se enquadrar em nenhuma convenção literária, nem se inspirar em outros poetas e, mesmo assim ter recebido prêmios e elogios da crítica especializada. o Livro será lançado hoje, as 19h, na Poty Livros, rua do Riachuelo, 202, no Bairro da Boa Vista, Recife - PE.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Jovem Poetisa lança livro no Dia da Mulher


No próximo dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher, a enfermeira e poetisa Valéria Saraiva irá lançar o livro Lírios, Tulipas e Escorpiões, as 19h na livraria Poty Livros(Rua do Riachuelo, 202. Boa Vista ), situada ao lado da Faculdade de Direito do Recife.
No conteúdo, fruto de uma compilação de poesias ao longo de sua trajetória literária a poetisa divide o seu livro em três tempos, quando ela mesma a define como as principais fases de sua maturidade poética: Medievais, Modernas e Ensaios.
A autora aborda várias temáticas, como romantismo, problemas ambientais e política e, é claro, em tom de poesia desaba suas insatifações contra o descaso da preservação ambiental, como em Lembranças do Cabo (Seu primeiro Prêmio Literário), ou mesmo contra os poderosos, de acordo com Os Donos do Mundo, outra poesia um tanto ácida, cuja fisgada semelhante a do aracnídio não deixa dúvidas ao leitor quanto ao "escorpião" no título da obra.
Mas, como nem tudo é veneno, Valéria também reserva flores para o público, presenteada em poesias de suas fases mais românticas, como em Lado a Lado, e Sempre.
"Publicar Lírios, Tulipas e Escorpiões nesse momento é a realização de um sonho de uma vida inteira. Vendo esse trabalho espero que o leitor entenda um pouco da minha história e do meu relacionamento com a poesia, como também encontrem em alguns momentos os lírios, as tulipas e os escorpiões no enredo da minha obra" - afirma.
Outras informações, acessem ao blog da poetisa no: www.tempoliteral.blogspot.com, ou pelo email: vcslins@gmail.com

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Pedro Bial: Do Muro de Berlin ao Paredão do BBB



Recentemente, o Brasil tem vivido uma verdadeira guerra de opinião. De um lado encontram-se os alienados, os telespectadores do reality show Big Brother Brasil (BBB), sob comando da poderosa Rede Globo, e intermediado pelo respeitável jornalista Pedro Bial; e do outro, a parcela inteligente da população brasileira que vem travando uma forte campanha de conscientização contra este programa.

No final dos anos 1980 o mundo assistiu, talvez, ao maior acontecimento de sua década: a queda do muro de Berlim. Era o fim de uma era, de um período negro, ou melhor, vermelho da história. Da vitória, como diziam os americanos, do bem contra o “império do mal”, e curiosamente, representando o Brasil, qual repórter esteve lá? Pedro Bial, e com muita competência, justiça seja feita, ele cobriu o evento, entre outros, e certamente este acontecimento o deixou na estratosfera do jornalismo brasileiro.

Não bastasse, Bial também foi correspondente em outros eventos de igual importância como a Guerra no Golfo e o colapso da União Soviética. Ousado, certa vez em visita aos beduínos no deserto da Jordânia chegou a comer um olho de carneiro na refeição para não desafrontar as tradições daquele povo.

Todavia, desde o ano de 2002 assumiu o pior programa que já pode existir na televisão brasileira: o já citado Big Brother Brasil. E pior, inspirado num reality show europeu, que nem mesmo sobreviveu ao país de origem (Holanda) o programa ainda preza por premissas que vão de encontro a todos os valores conhecidos da sociedade brasileira, como o trabalho, a ética e a generosidade do povo. Lá, um grupo de jovens, em sua maioria mui bonitos, “herói” é o termo usado ao participante mais desonesto, conquistador, inescrupuloso e capaz de passar por cima de tudo e de todos em prol de conquistar o prêmio milionário.

Contudo, semelhante ao que Judas Escariotes fez ao maior líder de todos os tempos, por algumas moedas, Bial pode estar cometendo (juntamente a TV GLOBO) a maior traição de todos os tempos, não só ao povo brasileiro bem como à sua própria história: manipular a massa inculta brasileira em prol de meros interesses financeiros.

Entretanto, ao contrário de Judas, esta traição é por uma quantia muito maior. Atualmente vem circulando um email na internet, assinado pelo escritor Érico Veríssimo cujo conteúdo denuncia que a cada paredão do BBB 12, quando a população é acionada para eliminar um participante, a emissora fatura cerca de 8,5 milhões de reais.

Agora, em pleno começo do século 21 o “muro” mudou. Há muito deixou de ser de concreto e cimento e passou a ser virtual, porém longe de ser ilusório e bem mais ameaçador. E com a popularização da internet, cujo simples toque do mouse transforma uma pessoa em celebridade (Luíza já está no Brasil) a partir de uma frase boba, as antigas passeatas tornaram-se coisa do passado. Esperamos que o poder de direito, seja qualquer um deles: o executivo, o legislativo ou o judiciário (ou os três combinados) tenha a coragem de proibir a veiculação deste programa, ou, do contrário, a sexta economia mundial continuará, no ponto de vista da educação, no fundo do poço.

sábado, 29 de outubro de 2011

Ex-militante das Ligas Camponesas vai lançar livro no Recife

Depois de inúmeras publicações o regime militar (1964-1985) volta à cena com o lançamento, no Recife, do livro: “DAS LIGAS CAMPONESAS E A REVOLUÇÃO DE 64”, escrita pelo advogado e ex-militante político Joel Sampaio de Arruda Câmara.
Com um título, no mínimo provocativo para a maioria dos estudiosos, principalmente os de esquerda ele torna-se ainda mais polêmico por quem o escreveu. Joel Câmara tem no currículo o fato de ter sido lugar-tenente, espécie de discípulo nº1 do também advogado e líder camponês Francisco Julião, um dos maiores baluartes das LIGAS COMPONESAS em Pernambuco.
Chegou a ser preso por duas vezes, uma no primeiro governo de Miguel Arraes, em 1961, e outra no início dos governos militares, em 1964, por “medida de segurança”. Ex-trotskista, decidiu abandonar as bandeiras vermelhas por desilusão e considerar-se traído por antigos companheiros. Inclusive chegou a dividir sela com outros revolucionários como, entre outros, Gregório Bezerra.
No conteúdo deste ensaio, que, segundo o autor, será dividido em três volumes Joel descortina o passado, numa riqueza de detalhes e documentação impressionantes o verdadeiro papel dos comunistas, mitos e mentiras, entre outras, o oportunismo deles frente a fundação das próprias Ligas.A previsão de lançamento está para o início de 2012 e o preço esta a definir.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Debate sobre Gregório Bezerra


Amanhã, 28 de outubro, as 19h será realizado na livraria Poty um debate sobre MEMÓRIAS - a recente obra póstuma do lendário líder comunista Gregório Bezerra. Tendo a frente da mesa o filho Jurandir Bezerra,com mais de 80 anos, será debatido toda a contribuição de seu pai na política brasileira bem como toda a sua trajetória de vida,desde a revolução de 1930, a intentona comunista,os regimes militares até a sua vida no exílio, na Rússia Soviética.

Depois do bem sucedido lançamento no Recife, desde 1 de setembro,na sala da Fundação Joaquim Nabuco a história comprova sua imortalidade através de MEMÓRIAS. Com cerca de 600 páginas, com manuscritos reunidos no tempo de exilado Gregório conta tudo o que sua assombrosa memória pode trazer, desde os tempos de criança, no sertão pernambucano, toda sorte de privações dos sertanejas, as condições humilhantes frente aos coronéis, bem como toda as vitórias de sua vida. Pela Editora Bointempo, o livro custa R$ 70,00 nas livrarias.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

História Americana: O encontro imaginário dos JK

Liderança. Audácia. Carisma. Qual a relação entre estas palavras? Resposta: os presidentes Juscelino Kubistchek e John Kennedy. Notáveis líderes em seus respectivos países, Brasil e Estados Unidos, mais que a semelhança das iniciais (JK) a biografia de ambos acrescenta mais uma palavra: tragédia. Apesar de extremamente populares, morreram de forma trágica e deixaram grande comoção popular.
Seria exagero reiterar que os presidentes acima destacados constituem o único caso da história dos estadistas cujo final é encerrado por um crime bárbaro. Entretanto, o poder de comunicação, aliado ao não menos importante espírito futurista e sedutor nos dois personagens, por si sós não passaram despercebidos da historiografia.
Há 50 anos, mais precisamente no dia 20 de janeiro de 1961 o jovem John Kennedy surpreendeu (pela relativa pouca idade) ao assumir o cargo mais poderoso do mundo: a presidência norte-americana. Mesmo por uma vitória apertada, menos de 2% contra Nixon, mais tarde futuro presidente. O mundo simplesmente parou para testemunhar este acontecimento, afinal, o planeta vivia o auge da guerra fria, a conhecida queda de braço entre as duas superpotências mundiais: A União Soviética versus Estados Unidos. E, o presidente Kennedy representava o alívio dessas tensões entre estes dois países e, de quebra, a tão almejada paz mundial.
Na parte sul do mesmo continente, mais precisamente no Brasil, seis anos antes assumira a sua presidência o jovem político Juscelino Kubistchek, sob a coligação PSD-PTB foi eleito com 36% dos votos válidos. Evidentemente, em proporções menores ao problema do colega norte-americano Kubistchek assumira o comando da nação num momento não menos delicado. O país enfrentara um vácuo político, mal preenchido por uma série de governos interinos desde o suicídio do presidente Getúlio Vargas, em agosto de 1953.
O desemprego progressivo, a alta da inflação e a crescente aderência aos movimentos de esquerda, bem como os de direita (os militares) deixaram um palco político no mínimo desafiador para o futuro presidente. Mas, com estrema habilidade, e um plano grandioso como projeto “cinquenta anos em cinco” Kubistchek resgatou a esperança e o orgulho nacional.
Nas eleições presidenciais de 1955, foi eleito com 36% dos votos. Como presidente construiu hidroelétricas, modernizou parques industriais, trouxe investimentos estrangeiros ao país e deu início a construção de Brasília, sob instituição do Distrito Federal.
Aspecto Psicológico de Ambos
Sem dúvida o encontro dos dois JK´s seria para lá de agradável(como nesta foto montagem), exceto por uma eventual e quase impossível falta de afinidade entre eles, no caso de um encontro real. John Kennedy antes de entrar na Casa Branca foi fortemente criticado por sua pouca idade. Entretanto, Kennedy era acima de tudo um sedutor, e encarnava para a maioria das pessoas o típico playboy americano, fator este o qual quase lhe arrancou a presidência.
Inversamente, Juscelino Kubistchek, apesar do incomum sobrenome (de origem Tcheca) não possuiu a mesma sorte de colega político acima, porém dividia com o mesmo um surpreendente poder de sedução e grande sucesso entre as mulheres. Ambos gostavam da noite e tudo o que de bom ela poderia trazer, claro. E usufruiram disso.
Infelizmente, relatar as façanhas amorosas dos dois figurões da política dariam um livro, e o espaço da postagem perderia o sentido do blog, cujo papel é despertar a paixão dos leitores pela história dos personagens e ir além (como rastrear os livros e links). Mas posso adiantar aos leitores que quanto ao apetite sexual John Kennedy chegava a ir além: há rumores que ele apreciasse o sexo coletivo, como nos tempos de Roma.
Sua infidelidade à primeira dama era tão pertubadora quanto o mal-estar gerados, como exemplo do episódio da atriz Marilyn Monroe¸ quando esta cantou os parabéns a Kennedy, por ocasião do seu 45º aniversário, no dia 19 de maio de 1962. E mesmo antes do sexy sussurrar final da cantoria o país inteiro já sabia do romance dos dois.
A desenvoltura de Marilyn, bem como sua intimidade quase deixou o presidente em apuros, e ainda chegou a ser relembrado, mais de 30 anos depois, em comparação ao escândalo do ex-presidente americano Bill Clinton, acusado de envolvimento sexual com a então estagiária Mônica Levinsky.
No caso de Juscelino, bem mais discreto, sabe-se apenas que vivenciou muitos amores, todavia casou-se com Sarah Lemos, a quem o único obstáculos do romance dos dois era a política, a segunda paixão de Kubistchek.
A Tragédia histórica
Sem dúvida, até pela combinação das circunstâncias e importância do cargo numa visão mundial deram a John Kennedy o destaque maior ao assassinato. Ele era jovem, vivia o auge de sua carreira e popularidade. Mas, mesmo assim teve sua vida abreviada num covarde e intrigante assassinato, mal esclarecido, pouco solucionado e divisor de opiniões, mesmo nos dias de hoje.
No caso do presidente Juscelino Kubistchek, seu falecimento ocorreu no dia 22 de Agosto de 1976, em um desastre automobilístico em que também perdeu a vida seu motorista e amigo Geraldo Ribeiro, em circunstâncias até hoje pouco claras, no quilômetro 328 da Rodovia Presidente Dutra, em um automóvel Chevrolet Opala, na altura da cidade fluminense de Resende, no qual o veículo onde ele estava, colidiu violentamente com uma carreta carregada de gesso.
Sob a mira de inúmeras câmeras, pode-se assim dizer que o assassinato de John Kennedy parecia algo cinematográfico. E foi reprisado por todo o planeta. O difícil era acreditar o que de fato ocorrera naquela fatídica tarde em Dallas, quando três tiros foram efetuados na cabeça de Kennedy, a bordo de sua limousine e cuja morte foi instantânea. Era sexta-feira 22 de novembro de 1963 . O suposto assassino, Lee Harvey Oswald foi preso 80 minutos depois, porém nunca admitiu o crime, pouco tempo depois foi assassinado.
Inúmeras conjecturas foram criadas para explicar a morte de ambos presidentes, embora não justifiquem em momento algum. Segundo relatos extra-oficiais Juscelino não era bem visto pelos militares e sagrou-se um forte opositor à ditadura militar no Brasil, daí a grande suspeita da população frente a eles. John Kennedy, nem se fala, afora o inimigo natural da guerra Fria, a Rússia Soviética, entre outros, ele já estava se preparando para concorrer à reeleição à Casa Branca. Fator este que certamente lhe contraiu inúmeros inimigos políticos.
Contudo, suas personalidade já estão eternizadas na História da humanidade , bem como em filmes e bibliografia dos grandes líderes do século 20.

Referências para pesquisadores
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.vejoseries.com/images/series/fotos/jk.jpg&imgrefurl=http://www.vejoseries.com/JK&h=1401&w=1014&sz=251&tbnid=fQ2FG8QhPtsD7M:&tbnh=150&tbnw=109&prev=/search%3Fq%3Da%2Bmorte%2Bde%2Bjuscelino%2Bkubitschek%26tbm%3Disch%26tbo%3Du&zoom=1&q=a+morte+de+juscelino+kubitschek&hl=pt-BR&usg=__OWt2lZxQph8P3-lnAfYLVbMXZ9k=&sa=X&ei=yd2dTbyrG9Cgtgfs64nEBA&ved=0CF4Q9QEwCw
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/os-50-anos-da-posse-de-john-kennedy


vídeos



video 2

Não foi encontrado um video a respeito da morte de JK

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff: a Dama de Ferro Brasileira?

No dia primeiro de janeiro de 2011 o povo brasileiro testemunhou um momento histórico: a posse da presidente Dilma Rousseff, a primeira mulher a comandar o Brasil. Todavia, ela não é única do recente quadro político mundial. Nomes como a chanceler Angela Merkel, na Alemanha; a presidente Cristina Kirchner, na Argentina; ou a Secretária de Estado Hillary Clinton, nos Estados Unidos (entre outras) compõem o cenário feminino internacional. Apesar destes nomes, a atual chefe do executivo brasileiro vem sendo constantemente comparada a ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher, conhecida pelo apelido “Dama de Ferro”, seria um exagero?
De fato, aproveitando o jargão do ex-presidente Lula: “nunca na história deste país...” uma mulher conquistou tanto poder. Eleita com mais de 56% dos eleitores, de quebra, ela ainda assumirá o governo com maioria parlamentar. E mais, de seus 37 ministros, nove mulheres irão compor o seu governo em 120 anos de República brasileira.
Breve Biografia
Filha do advogado e empreendedor búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte – Minas Gerais. De classe média, na infância estudou em colégios de formação católica e conservadora.
Contudo, interessou-se por política logo após o regime militar de 1964. Influenciada pelo movimento estudantil, bastante ativo na época, ingressou no POLOP (Política Operária) e, posteriormente no Comando de Libertação Nacional (COLINA). Foi justamente neste último que lhe conferiu maior fama, como a questão da clandestinidade além, das ações armadas (assalto a bancos, atentados a bomba, etc.) que ela nega ter participado diretamente. No início dos anos 1970 foi condenada a seis anos de prisão, quando foi severamente torturada. Mas depois de dois anos foi absolvida pelo Supremo Tribunal Militar.
Após a anistia, filia-se ao PDT, partido do ex-exilado político Leonel Brizola. Na carreira política, de 1985 até 1988 foi Secretária Municipal da Fazenda do prefeito Alceu Collares (PDT-RS), em Porto Alegre. E, posteriormente, em 1990, quando este foi eleito governador do Estado (Rio Grande do Sul) ela assume a pasta das Minas, Energia e Comunicações. Em 1998, no governo do petista Olívio Dutra foi convidada para assumir o mesmo cargo, em sinal de sua competência. Em sua gestão a capacidade de atendimento do setor elétrico subiu 46%.
O seu prestígio aumentou quando, na crise do apagão do governo FHC, a região sul foi à única não atingida. Apesar de ter alertado antes o presidente do iminente problema do setor elétrico. Por isso, em 2002 ela foi convidada para ministra das Minas e Energia, no governo Lula. Com o escândalo do mensalão e a renúncia do então ministro José Dirceu Dilma é nomeada em seu lugar para a Casa Civil, o mais importante posto do governo brasileiro.
Foi justamente a sua experiência como Chefe da Casa Civil que lhe garantiu as bases para a caminhada à presidência da República.

Semelhanças entre Dilma e Thatcher
Evidentemente, é notório afirmar algumas semelhanças entre Dilma Rousseff e Margareth Thatcher, como no campo da personalidade, fator esse fundamental pra qualquer mulher que almeja um cargo de destaque. Mas resumi-las uma na outra beira à estupidez. Ambas possuem uma personalidade forte e de comando, aliados a um caráter técnico e pragmático nas decisões. Coincidentemente, herdaram de seus respectivos pais a veia para a política.
O pai de Dilma, Pedro Rousseff, era um advogado búlgaro e antes de imigrar ao Brasil era filiado do partido comunista da Bulgária; no caso de Margaret, seu pai, Alfred Roberts, era proprietário de uma mercearia. Porém foi um ativo membro municipal de Granthan, cidadezinha dos Midlands ( região Central da Inglaterra) e, posteriormente prefeito durante um ano, em 1945.
Na vida acadêmica Dilma graduou-se em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande de Sul em 1977, visto que em Minas (sua terra natal) foi impedida de concluir o mesmo curso em função do AI-5, sob acusação de subversão. Thatcher formou-se em Química, mas exerceu por apenas quatro anos. Em seguida, optou por estudar direito pela Universidade Oxford, em 1953. Daí inicia suas pretensões políticas.
Elas foram eleitas as primeiras mulheres de seus respectivos governos. A obsessão pela objetividade e a busca por resultados é similar, nem que para isto ameace a popularidade. Ambas não nasceram com o carisma comum dos grandes líderes. Margareth vivia nos altos e baixos de popularidade e chegou à amargar em minguados 25% de aprovação no final de seu governo (1979-1990).
Como Dilma não teve tempo de gozar a presidência, sua estada com chefe da Casa Civil (2002-2010), cujo posto equivale, em linhas gerais, a de primeiro-ministro em outros regimes apenas conseguiu se eleger por um carisma transferido pelo seu padrinho político, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.
Principais Diferenças
Passadas as semelhanças acima relatadas, no campo da política a disparidade entre as duas é enorme. Enquanto estava no poder, Margaret tornou-se símbolo da direita mundial ao defender abertamente o neoliberalismo econômico, ou seja, a menor participação do Estado na economia. Para isto, seguiu de forma rigorosa a nova cartilha como a questão das privatizações de estatais, redução de gastos e uma oposição implacável aos movimentos sindicais do Reino Unido.
Inversamente, como foi dito Dilma optou desde sua juventude pelos movimentos de esquerda, inclusive os mais radicais (como as ações armadas). Enquanto ministra das Minas e Energia conseguiu equacionar os problemas do setor elétrico. E na Casa Civil foi uma ativa defensora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), embora em gestação, as obras, como a transposição do São Francisco, prometem beneficiar inúmeros estados brasileiros, sobretudo o Nordeste. Principalmente no mandato atual.
No início do governo, a primeira ministra britânica conseguiu reduzir a inflação e a valorizar a libra esterlina que proporcionaram algum fôlego à economia, além de uma relativa paz com a opinião pública. Em contrapartida, o índice de desemprego triplicou desde a sua posse, em cerca de três milhões de britânicos.
Todavia, a sua personalidade austera conferiu-lhe numerosos inimigos, internos e externos, sobretudo dos países de ordem comunista. Principalmente a extinta União Soviética. Daí nasceu o apelido “Dama de Ferro”, que lhe deixou fama pelo resto da vida.
Controvérsias à parte, tanto Margaret Thatcher quanto Dilma Rousseff tornaram-se, entre outras, referência mundial da mulher moderna enquanto estadista, um estímulo para tantas outras, além de entrarem definitivamente para a História.
Referência para Pesquisadores
http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilma_Rousseff
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thatcher
Livro Margaret Thatcher-os Grandes Líderes-original-cdlandia
Vídeos relacionados



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Batalha da África do Norte: A Raposa do Deserto versus O Buldogue Bretão

Sessão: Segunda Guerra Mundial Assunto: O Duelo no Deserto Africano
Erwin Rommel, lendário general alemão da Batalha da África do Norte, é daqueles que elogiar soa como redundância. A ele foi incumbido à difícil missão de salvar os italianos além de honrar a sorte do próprio Eixo (países do lado alemão) de uma derrota quase certa. Inicialmente, desacreditado pelos Aliados, sobretudo os britânicos do premier Winston Churchill tornou-se o pior pesadelo deles no decorrer da Segunda Guerra Mundial.
Rommel nasceu na cidade de Heidenheim, no estado de Wuttemberg, em 15 de novembro de 1891, no sul da Alemanha. Era filho de um reitor protestante e mae filha de dignatários. Desde cedo, já demonstrava uma aptidão militar, embora desejasse ser mecânico de aviões. No entanto, por influência do pai acabou seguindo carreira militar. Durante a vida chegou a servir na Primeira Guerra Mundial, e foi contemplado com medalhas de Primeira e Segunda Classe do cobiçado distintivo da Cruz de Ferro germânico.
Na vida pessoal Rommel não bebia e nem fumava. Era dedicado à família e, entre os seus soldados gozava de um respeito e admiração sem igual, além de possuir hábitos simples, como alimentar-se do mesmo cardápio do seu batalhão e tomar chá num cantil que guardava consigo.
Mas foi na Segunda Guerra o qual ele tornou-se um imortal. Depois de uma desajeitada campanha bélica italiana no Chifre Africano (Nordeste da África), um militar sisudo, de estatura mediana é recebido por eles num aeródromo líbio quase como um messias. Era 12 de fevereiro de 1941 e naquele momento os Aliados não tinham a menor idéia do que ele representaria.
Primeiras Batalhas: a Raposa Ataca
Em 31 de março, após convencer as autoridades italianas Erwin Rommel inicia uma batalha no deserto contra os ingleses na cidade de El Algheila, ao norte da Líbia. No modelo Guerra-Relâmpago aciona sua 15ª Divisão Panzer (embora incompleta) e surpreende-os numa vitória triunfal, registrada no dia 4 de abril. E obriga-os a recuarem.
Entretanto, Rommel que não era de perder tempo avança com seus tanques rumo a Tobruk, cidade fronteiriça com o Egito. Confronto iniciado no dia 10 de abril, desta vez o então comandante do Afrika Korps (nome da divisão de Rommel) encontra forte resistência dos australianos, responsáveis por sua defesa. O próprio premier Britânico, Winston Churchill, sabendo da importância estratégica da cidade descarta qualquer retirada, além de cumprir o papel de general na “queda de braço” com o alemão.
Como resposta, Churchill, ora chamado o velho “buldogue bretão” (ou britânico), ou, para os simpatizantes, Leão Inglês, deu início cinco dias depois a uma contra-ofensiva na conhecida Batalha de Sollun (no lado Egípcio). Após quatro dias de um sangrento conflito Rommel sagrou-se vitorioso. Segundo relatos ele adaptou seus canhões antiaéreos 88mm na função antiataque, ele arrasou um por um os tanques ingleses. Insatisfeitos, os súditos da rainha ainda tentaram reagir, mas numa manobra para lá de astuciosa, no dia 17 de abril,foram capturados pela retaguarda germânica.
A partir desta batalha o então general do Reich ganhou o célebre apelido cuja fama galgou proporção internacional: A Raposa do Deserto. E Hitler não deixou por menos, imediatamente o promoveu a Marechal de Campo. Sua façanha foi tamanha que garantiu-lhe a admiração de seus próprios inimigos. O próprio Churchill chegou a mencioná-lo na Câmara dos Comuns (parlamento inglês) como “o grande general”.
Conflito de AL-Alamen: O Buldogue reaje
O primeiro ministro britânico Winston Churchill era mesmo um homem de medidas arrojadas. A situação no deserto era sombria e o incomodava profundamente. Desde a Batalha de Sollon uma única preocupação residia em sua mente: Erwin Rommel, A Raposa do Deserto. E para isto seria necessário nomear alguém à altura, e este homem seria o general Bernard Montgomery. Sua missão: eliminar a raposa.
De fato, Montgomery cumpriu um papel crucial frente às tropas, resgatou a disciplina, organização e até mesmo algumas formalidades militares em desuso, como a reverência. Apesar de sua indiscutível competência é difícil compará-lo ao seu inimigo de farda. Rommel estava em clara posição de desvantagem quanto aos aliados, visto que seus aprovisionamentos custavam a chegar. E partiam de Tobruk ou da distante Trípoli, ao norte da Líbia, país vizinho, após uma arriscada travessia do Mediterrâneo.
Enquanto o Britânico recebia os mesmos mantimentos (alimentos, armas e combustíveis) diretamente do porto de Alexandria, há apenas 95km de Al-Alamen, cidade Egípcia. E ambos sabiam, quem conquistasse esta cidade estaria com o milenar Egito nas mãos. Em 30 de junho a raposa inicia a primeira batalha, mas, sem o apoio da Luftwaffe não consegue romper as linhas inimigas, mas fica em equilíbrio de forças.
Em novembro, com o prosseguimento do conflito o desequilíbrio de forças foi tornando-se cada vez mais evidente. Num dado momento o embate chegou a dois contra um. No espaço aéreo esta cifra subiu para cinco Aliados contra um do Eixo. Mesmo assim, num intervalo ocasionado pelas chuvas de inverno o Marechal aproveita linhas de defesa na estrada de Katerine. E chega a vencer uma batalha, em fevereiro de 1942, contra os inexperientes americanos. Mas era apenas um insulto final. A guerra já estava perdida.
Porém, inversamente ao pensamento oficial, o grande inimigo de Rommel não partiu dos Aliados, e sim de sua própria ordem: o Führer. Muitos especialista garantem: a falta de visão do líder nazista e sua obsessão pela campanha do Leste(na Rússia) foram fundamentais para a derrota alemã. Do contrário, talvez seu Marechal tivesse tido outro fim. Hommel morre no dia 14 de outubro de 1944, em Herrlingen, Alemanha, aos 52 anos.
Referência para os apaixonados por História
http://pt.wikipedia.org/wiki/Erwin_Rommel http://pt.wikipedia.org/wiki/Winston_Churchill Breve História da Segunda Guerra Mundial, Jesus Hernandez O Papa de Hitler, Jhon Cornwell Cinco dias em Londres, Jhon Lukacks National Geografic, "O dia D"

Redescobrindo a Segunda Guerra - O Dia D -

Vídeo 2 (continuação) Batalha na África do Norte

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Nos Labirintos da Sociedade Thule

Sessão: Segunda Guerra Mundial
Assunto: Genealogia Ariana

É impossível falar sobre o Holocausto sem relacioná-lo ao Nazismo. Bem como mencioná-lo e não citar a influência da Sociedade Thule, um grupo ocultista o qual vigorou no alto escalão de Adolf Hitler (1933-1945). Ambos são faces da mesma moeda. Ela representou para o partido Nazi o mesmo que o cérebro para o corpo humano. Mas, é claro, como a inteligência do mal.
As sociedades secretas marcam presença na história da humanidade há milênios. Existem várias correntes ou denominações. A maçonaria, embora seja uma delas, não deve ser confundida com as demais de cunho racista anti-semita, como o grupo Thule. Este já existia desde o século 19 como “Grupo de Estudos para a Sociedade Alemã”. Depois da Primeira Guerra Mundial e a derrota alemã ganhou força, daí foi batizada com este nome.
No conteúdo, sua base filosófica vigorava em torno do anti-semitismo e no resgate da supremacia da raça ariana. Também acreditavam que sua origem estava em Atlântida, de acordo com a lenda um épico continente perdido. Segundo os gregos, datado por volta de 9 mil anos a.C. Porém alguns de seus sacerdotes, através de barcos, conseguiram escapar. Desse modo, deixaram descendência na Índia, e em parte da Ásia (como no Tibet); além deles próprios, os povos germânicos .
O casamento do Partido Nazista com a sociedade Thule
Certamente, a afinidade de idéias entre o partido Nazista e a Sociedade Thule foi de importância primordial. Com a ascensão deles, no início da década de 1920 não haveria terreno mais fértil. E tomaram bom proveito disso. Composto por homens abastados, entre os quais barões da Bavária, seus membros financiaram os Nazistas desde o fracassado golpe de Cervejaria, em novembro de 1923 até o fim do regime, em 1945.
Apesar de não admitir publicamente, Adolf Hitler recebeu forte influência deste pensamento desde sua infância. Como deixou, nas entrelinhas, no Mein Kampft (Minha Luta), livro o qual escreveu nos tempos da prisão, e redigiu os fundamentos do seu Estado imaginário. Em contrapartida, foi cercado por ocultistas fervorosos, a exemplo dos oficiais Rudolf Hess (vice-führer), o chefe do Serviço Secreto (SS) Heinrich Himmler e o ministro da Propaganda Josefh Goebeles, entre outros.
Himmler, especificamente, foi um dos mais destacados. Talvez por ter sido muito leal a Hitler, adquiriu dele autonomia quase absoluta, como nas atitudes ocultistas. Documentos afirmam que ele próprio considerava-se a reencarnação do rei Henrique I (o rei passarinheiro), na época da Idade Média. No final de 1935, implantou o programa Lebensborn (fonte da vida, em alemão), cujo objetivo era aumentar a população ariana, e tinha por base residências secretas a fim de facilitar a procriação.
Este programa também foi implantado em outros países sob domínio germânico, como a Polônia e Noruega, cujos caracteres físicos destas populações condiziam com os pré-requisitos do estatuto racial. No tocante a questão da lenda “Atlântida” ajudou a coordenar expedições ao Himalaia no propósito de comprovar geneticamente a teoria defendida pelos Thule anteriormente, mas sem sucesso.
No auge de sua loucura, o Führer chegou a determinar uma lei, em prol da limpeza étnica o qual todo o alemão deveria comprovar sua “pureza ariana” a partir de 1750. Portanto, era comum na residência da população residir quadro nas paredes cuja ilustração havia uma enorme árvore genealógica, como comprovante. Estima-se que cerca de 11.000 crianças tenha nascido nestas condições. E caso os militares não assumissem a paternidade, o governo garantia a tutela. Tudo a fim de consolidar a supremacia da futura “super-raça” no mundo.
Com o fim do Terceiro Reich, esta geração sofreu toda a sorte de preconceito nos países respectivos, embora não tivesse a menor culpa. Contudo, nem todos tiveram final infeliz, os que conseguiram adquirir o direito a paternidade também ajudaram a fundar entidades para ajudar a resolver a mesma causa pelo qual sofreram. Como, por exemplo, a norueguesa Gerd Fleischer(foto), cujo drama da sua vida incentivou-a a fundar uma ONG para refugiados (Ver a reportagem no link abaixo). Ela foi filha de um militar alemão com mãe da região da Lapônia (região da Noruega).
Referência para os apaixonados pela História
http://segundaguerra.org/as-consequencias-do-projeto-lebensborn-na-noruega (caso Gerd Fleischer)
http://segundaguerra.org/?s=himmler
http://segundaguerra.org/category/biografias/biografias-eixo

sábado, 7 de agosto de 2010

General Heiz Guderian, o Aníbal do Terceiro Reich

Sessão: Segunda Guerra Mundial
Assunto: Mistérios do Terceiro Reich

Considerado por muitos um gênio militar, o general Heinz Guderian fez jus a sua respeitável fama. Em sua carreira foi partícipe das duas guerras que marcaram o século XX: a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Porém nesta última, ganhou fama após a criação dos temíveis Panzers, os velozes tanques blindados do Reich. Talvez, tenha como equivalente o general Aníbal Barca (247-183 a.C), do Império Cartaginês a quem quase derrotou Roma, na Antiguidade. De qualquer forma, ambos ocupam um lugar no Olimpo, no Hall dos gênios militares.
Filho de um oficial do exército Guderian nasceu em 17 de junho de 1888, em Kulm, na antiga Prússia Ocidental (atual Chelmno, Polônia). Sua inclinação militar começou desde cedo, estudou na Escola de Cadetes Karlshure e na Gross-Lichterfeld, próxima a Berlin. Foi comandante do 10º batalhão de Caçadores Hanoverianos (Hanôver, Alemanha). Na Primeira Guerra sua grande experiência bélica foi na Batalha de Verdun, na França.
Mas com a derrota alemã continuou investindo em sua carreira, e assumiu vários postos no exército. Neste ínterim aprofundou-se em teorias que posteriormente resultaram na criação dos Panzer, unidades motorizadas(e blindadas) para combates. Em 1931 foi promovido por Adolf Hitler Tenente-coronel. Com este feito tornou-se símbolo na chamada Guerra-Relâmpago; cuja rapidez dos seus tanques blindados deixava seus inimigos sem a menor chance de defesa. Bem como aconteceram na invasão da Polônia, na batalha da França, Países-Baixos e, sobretudo, na Operação Barbarossa, na União Soviética.

Aníbal, a pedra no calcanhar de Roma
O general Aníbal Barca nasceu em Cartago, em 247 aC. (atual região de Túnis, na Tunísia). Era filho do também general Amílcar com Ibérica (daí o nome Península Ibérica). Além de chefe militar seu pai também era o governante de Cartago, superpotência do mundo antigo e concorrente do Império Romano. Segundo a História, eles travaram três grandes conflitos os quais ficaram conhecidos como Guerras Púnicas (264 a 146 a.C).
Aníbal participou da Segunda Guerra Púnica, o qual o deixou famoso pela façanha de ter atravessado os Alpes a partir da península Ibérica. Por sobre elefantes, com um exército mal armado e em menor número atormentou a defesa romana por mais de uma década. Mas foi derrotado por uma manobra do imperador Cipião africano, quando este resolveu dirigi-se a cidade de Zama, território Cartago (ao norte da África). Já desgastado de tantas guerras, mesmo sem condições, Aníbal viu-se obrigado a defender seu território, quando então foi derrotado (202 a.C).
A rendição foi desastrosa para seu Império. Visto que, além de perda de grande parte de seu território os romanos impuseram pesados impostos e cláusulas humilhantes, como o fim da autonomia bélica. Cartago agora não poderia mais lutar, sem ao menos a permissão do vencedor. Por fim, no governo de Cipião Emiliano foi provocada a Terceira Guerra Púnica, a quem considerava a simples existência cartaginesa uma ameaça. Sua cidade foi completamente arrasada em 146 a.C.
Memoráveis Batalhas de Guderian e Aníbal
As afinidades entre os generais Aníbal Barca e Heinz Guderian são mesmo impressionantes. Ambos foram filhos de militares, e desde a infância apresentavam um talento militar incomum, além de avançados ao seu tempo. Também serviram à superpotências de seus respectivos períodos; entretanto, não fosse suas genialidades teriam ficado no rodapé da História.
Dotados de uma personalidade forte, Guderian era um dos poucos oficiais que discutia com Hitler, quando a opinião deste discordava. Talvez por isto era alvo de ciúmes entre seus colegas de farda; já Aníbal possuía uma liderança natural não só perante seu exército quanto ao seu povo, além do carisma (ambos eram venerados como heróis).
No ponto de vista pessoal, apesar do indiscutível sucesso no começo da guerra, com a invasão na Polônia, França e Países-Baixos, foi na Operação Barbarrossa (ou Barba-Ruiva) a quem Guderian obteve maior êxito. Pelo menos no início. Sua proeza foi tamanha que o Führer chegou a promovê-lo a General-coronel. Das três frentes acionadas para enfrentar o "gigante do leste" apenas a dele estava obtendo um movimento satisfatório.
Mesmo enfrentando um exército cinco vezes superior, suas unidades motorizadas não perdoaram os russos. Deixaram para trás quase 5 mil tanques inimigos num intervalo de tempo inimaginável. Mas, em função das outras frentes (em dificuldade) o recém-general teve que reter o avanço. Por isto ele teve que adiar o sonho de atingir Moscou, o qual nunca aconteceu. Do lado oposto o temível "General Inverno"(inverno russo) se aproximara, bem como fez no século anterior, com a derrotada França de Napoleão. O final desta história dispensa comentários.
No outro lado da linha do tempo, outro general fazia história. Após a morte do pai, com apenas 26 anos Aníbal reorganiza e assume o comando do exército. A partir da atual Espanha decide trilhar, em 218 a.C, cerca de 1000 quilômetros até a Itália, e atravessa o rio Ródano (França) e os Alpes Suíços. Sua principal batalha, sem dúvida foi a de Canas (ou Cannae), na península italiana.
Em 216 a.C, Cartago, com um exército de 50 mil homens consegue a façanha de derrotar 90 mil romanos, sob comando do general Terêncio Varrão. Numa estratégia audaciosa, ele atraiu seus inimigos e os cercou num movimento duplo, fechando-os pela retaguarda. Como resultado, 70 mil soldados morreram, 10 mil foram aprisionados e apenas 3.500 conseguiram fugir. Este conflito feriu profundamente o orgulho do Império Romano, e jamais foi esquecido. Mas, semelhante a Guderian, Aníbal também não conseguiu conquistar seu principal objetivo: atingir Roma. Contudo, até hoje o seu feito ainda é estudado pelas academias militares.
Refêrencia para Apaixonados por História
http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_canas
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anibal
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guderian
http://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Barbarossa
Hernandez, Jesus. Breve História da Segunda Guerra Mundial. Ed. Madras, 2010
Alvez, Antônio. História 3, O Mundo: Idade Contemporânea. Editora Líber, 1982



sábado, 24 de julho de 2010

Quem foi, afinal, Rudolf Hess?


Sessão: Segunda Guerra Mundial
Assunto: Mistérios do Terceiro Reich

Homem alto, inteligente e de gestos refinados Rudolf Hess foi considerado um dos nazistas mais próximos de Adolf Hitler. É sem dúvida uma das personalidades mais polêmicas do Terceiro Reich, a contar pela sua nacionalidade (Egípcia), sua ascensão e queda no Partido Nazista; e, por fim, a misteriosa morte no presídio de Spandau, na já dividida Berlin Oeste do pós-guerra.
Hess era filho de um comerciante bávaro e mãe britânica, nasceu no dia 26 de abril de 1894, Alexandria – Egito. Na Alemanha serviu na Primeira Guerra Mundial. Em 1920 adere ao partido dos trabalhadores alemães NSDAP, quando conhece Hitler. Este lhe conferiu posição privilegiada nos primeiros anos do regime, concedendo-lhe a Vice-Liderança do Partido Nazista, e de secretário particular do Reich. Além de convidá-lo a ajudar a escrever o Mein Kampf ( Minha Luta), considerada Bíblia do Nazismo.
“Eu vi um homem nessa noite, e ele vai trazer de volta o lugar onde a Alemanha ocupou antes da (Primeira) guerra, e este é o único homem que pode fazer isso, que é capaz disso”(palavras de Rufolf Hess, segundo seu filho Wolf Hess a Discovery Channel)

Referência de Hess a um discurso proferido por Adolf Hitler no conhecido episódio do Putch (golpe em alemão) da Cervejaria, ocorrido entre os dias oito e nove de novembro de 1923. Era o lugar preferido da elite política e intelectual da Baviera. Na verdade foi uma fracassada tentativa de golpe naquela região (sufocada pela polícia local) para dar início à “revolução nazista”. Esta ação foi inspirada pela Marcha sobre Roma, por Benito Mussolini. Todos acabaram presos.Inicialmente, o nome seria Marcha sobre Berlin, com o insucesso sagrou-se apenas pelo primeiro nome.
Contudo, talvez por sua extrema discrição acabou ofuscado pelo führer nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, nomes como Hermann Göring, Joseph Goebbels e Heinrich Himmler conquistaram maior destaque. Mesmo assim, em 1939 foi nomeado Líder Membro do Conselho de Defesa do Reich, o que lhe garantiria a sucessão de Hitler e Göring. Porém, sua queda política veio num incidente para lá de questionável e sem precedentes na História.

O Lado Oculto de Hess
A família de Rudolf Hess retornou para a Alemanha quando este completara 14 anos, em 1908. Em 1914, aos 20 ingressou como voluntário no exército alemão, na Primeira Guerra Mundial. Com o fim da guerra sua participação como ativista político não parou mais. Foi membro do grupo Freikorps, uma formação paramilitar de combate aos comunistas. Em 1920 filia-se ao partido nazista, quando conhece Adolf Hitler e torna-se comandante das secções de assalto.
Chegou a ser preso por sete meses e meio - sobretudo após o episódio do golpe da cervejaria. Juntamente com o sucesso eleitoral de Hitler, elege-se deputado no Reichtag. Extremamente culto, obteve formação acadêmica em ciência política, história, economia e geopolítica pela Universidade de Munique.
Em contrapartida, foi membro da sociedade Thule, organização mística e ocultista de estudantes da antiguidade alemã. Cujas idéias, posteriormente, o fizeram um dos principais mentores da filosofia racista instalada no país. Entre os principais: à perseguição a Igreja Católica, as etnias não arianas e, principalmente, aos judeus.
Na vida pessoal, Hess casou-se com Ilude Pröhl, estudante, no final de 1927. E, seu único filho, Wolf Hess, nasce dez anos após.Paradoxalmente, estima-se que ele foi um pai dedicado e afetuoso. As evidências quanto a isto ocorrem no final da vida dele, cuja morte por indigência só não ocorrera por forte interferência do seu filho Wolf. O qual mais tarde contraria a necropsia das autoridades ocidentais (ingleses e americanos) ao publicar um livro (Quem Matou o meu Pai Rudolf Hess?) acusando-os de tê-lo assassinado.

A Misteriosa Fuga

Era 10 de maio de 1941. Justamente num momento em que a Alemanha estava em guerra contra a Inglaterra e, na iminência da outra com a União Soviética (na conhecida Operação Barbarossa). Ironicamente, quanto tudo indicava para a vitória germânica, Hess, “por conta própria” resolveu viajar de avião e desceu de pára-quedas nas ilhas escocesas. Pela história oficial ele fora atraído para um acordo de paz com o Duque de Hamilton, do partido pela paz Britânico. Hess, na verdade, estava a procura de um opositor de Churchill e, naturalmente favorável ao plano dos alemães.
A empreitada, embora cinematográfica, foi um fiasco. Além de não conseguir negociar o oficial nazista quebrou o tornozelo e, em seguida foi aprisionado na Torre de Londres. Hitler ficou furioso com a iniciativa dele (versão oficial), acusou-o de insano e o substituiu imediatamente por Martin Bormann. Logo, este episódio tornou-se um escândalo pela imprensa mundial, e até hoje é motivo de controvérsias entre os historiadores, e razão para a publicação de muitos livros a respeito.
Entre os principais estudiosos estão: Louis C.Kilzer, autor de Churchill Deception´s (A Farsa de Churchill) e, John Lukacs em “Five days in London”(Cinco dias em Londres). Ambas publicações além de tratarem deste episódio, trazem surpreendentes revelações que os livros convencionais não contam, ou pelo menos ocultam sobre aquele período.
Talvez por isto a História seja uma ciência tão apaixonada e apaixonante, visto que “cada ponto de vista é vista por um ponto”(Teólogo Leonardo Boff). Quase sempre ela é dividida em duas versões: a História Oficial e a oficiosa. Como um filho legítimo e um bastardo renegado,cuja semelhança física deste (com o genitor)é tão intrigante que dispensa os modernos testes de DNA, exceto por ordem judicial.
O objetivo de Hess seria manter o mesmo acordo outrora proposto no período Chamberlain (ministro antecessor a Churchill): os alemães cessariam os bombardeios contra os ingleses se estes aceitassem a paz com a Alemanha. Em troca, o Terceiro Reich ainda cederia às conquistas militares no Ocidente se eles se propusessem a uma aliança militar contra a Rússia Soviética.
As duas Mortes de Rudolf Hess
De acordo com a tradição, o Hess da História foi condenado à prisão perpétua(por insistência da URSS) no tribunal de Nuremberg. Em seguida foi aprisionado no presídio de Spandau, sob acusação de criminoso de guerra como foi dito no início do texto.
Faleceu em 1987 aos 93 anos por suicídio, segundo o laudo da necropsia americana e inglesa. Mediante aos relatos ele enrolou um cabo elétrico no pescoço, na casa do jardim. Mas tem sua veracidade questionada após a versão de uma enfermeira, a quem o acompanhou nos últimos anos de vida. Segundo ela, o ex-nazista foi encontrado desfalecido, respirando mal, e a maleta de primeiros socorros chegou com uma demora um tanto extremada, além do balão de oxigênio vazio. A possibilidade de suícidio, na opinião dela, é bastante remota, visto as artrites e falta de equilibrio que o prisioneiro possuia para cometer o ato. Esta hipótese é reforçada pelo filho dele, Wolf Hess, o qual pagou um exame particular, cujo resultado possibilita a morte por provável estrangulamento.
E pior!, existe uma versão mais bizarra, o próprio Hess o qual foi confinado em Spandau(há quem acredite)pode ter sido um impostor, ou dublê de corpo. O veterano nazista possuía um ferimento em um dos pulmões por um tiro de rifle, desde a Primeira Guerra Mundial. Enquanto o condenado, incrivelmente não o apresentava (segundo Louis Kilzer). De qualquer forma, Hess tornou-se um mito, e seus restos mortais são reverenciados até hoje, ora proibidos ( de 1991 a 2000), bem como liberados ao público, a partir do ano 2001. Seu túmulo, localizado na cidade de Wundisiel, recebe anualmente milhares de visitantes até hoje, em sua maioria neonazistas ou simpatizantes.
OBS: A dúvida dos historiadores quanto ao sigilo desta operação não é em vão. Reside na informação da íntima relação de Hess com Hitler, o qual dificilmente aconteceria. Bem, mas estas razões serão discutidas nos próximos textos.

Referências
http://pt.metapedia.org/wiki/Rudolf_Hess
http://www.grandesguerras.com.br/artigos/text01.php?art_id=34
A Farsa de Churchill, Louis Kilzer
Cinco Dias em Londres, John Lukacs
A Era dos Extremos, Eric Hobsbawn